Memes Políticos e Desinformação: Humor e Propaganda na Era Digital

Introdução

O Poder dos Memes na Era Digital

Cartaz de propaganda nazista “Luftschutz” destacando propaganda visual de adoção coletiva da defesa civil
Exemplo de propaganda visual nazista dos anos 1930, ilustrando técnicas simbólicas de persuasão política.

Na paisagem digital contemporânea, os memes emergiram como uma força cultural e política inegável. Mas o que os torna tão poderosos? Pense neles como micro-narrativas virais, cápsulas de informação e emoção que se propagam a uma velocidade estonteante. São fáceis de partilhar, muitas vezes divertidos e, crucialmente, difíceis de contrariar [12]. A sua simplicidade e a capacidade de comunicar ideias complexas de forma instantânea fazem com que sejam ferramentas extremamente eficazes na disseminação de ideias e crenças [8].

Esta eficácia reside na sua capacidade de gerar identificação e coesão social. Quando um meme é partilhado e compreendido, cria-se um elo entre o emissor e o recetor, um reconhecimento mútuo de uma perspetiva ou de um sentimento. É um piscar de olhos digital que diz: “Eu entendo-te, tu entendes-me”. Esta ligação emocional é um terreno fértil para a persuasão, pois as pessoas tendem a ser mais recetivas a mensagens que vêm de fontes com as quais se identificam ou que reforçam as suas próprias crenças. É aqui que reside o perigo e a oportunidade dos memes políticos.

Além disso, a ambiguidade inerente a muitos memes permite que diferentes públicos interpretem a mesma mensagem de maneiras distintas. O que para uns é uma piada inofensiva, para outros pode ser uma mensagem codificada com um significado mais profundo e, por vezes, malicioso. Esta característica torna a sua moderação e refutação um desafio hercúleo. Como se combate algo que pode ser “apenas uma piada”? Esta é a essência da sua resiliência e do seu poder de manipulação digital.

Técnicas de Persuasão Através do Humor

O humor, em todas as suas formas – desde a piada mais simples à ironia mais mordaz e à ridicularização mais explícita – tem sido um instrumento de persuasão com um poder singular, especialmente quando aplicado à propaganda digital. Em contextos políticos e sociais, o riso pode ser uma ponte para a mente do recetor, contornando defesas e abrindo caminho para a aceitação de mensagens que, de outra forma, seriam recebidas com ceticismo. Mas como é que estas técnicas funcionam na prática?

Piadas e Anedotas: A Porta de Entrada para a Aceitação

As piadas e anedotas são, talvez, a forma mais acessível de humor. A sua simplicidade e a capacidade de evocar uma resposta emocional imediata – o riso – tornam-nas extremamente eficazes. Em campanhas eleitorais, por exemplo, o uso de histórias curtas e engraçadas, ou a apropriação de frases famosas e provérbios, serve para criar uma ligação emocional com o público [14]. Ao fazer rir, o emissor estabelece uma relação de simpatia e familiaridade, tornando-se mais agradável e, consequentemente, mais persuasivo. A mensagem, embalada no humor, torna-se mais memorável e é percebida como menos ameaçadora, facilitando a sua aceitação e disseminação. É uma estratégia para gerir o afeto e conquistar o voto dos eleitores, procurando persuadi-los e mobilizá-los [14].

Ironia e Sarcasmo: A Crítica Velada e o Desarmamento do Oponente

A ironia e o sarcasmo representam formas mais sofisticadas de humor, onde o significado literal das palavras é subvertido para transmitir uma mensagem implícita, muitas vezes crítica. Estas figuras de estilo são poderosas na propaganda digital porque permitem criticar adversários políticos ou situações de forma indireta, mas incisiva [14]. A ironia, ao dizer o contrário do que se pensa, pode suavizar a crítica, tornando-a mais palatável e, por vezes, mais difícil de refutar diretamente, pois o alvo pode hesitar em ser visto como alguém que “não entende a piada”. O sarcasmo, uma forma mais mordaz de ironia, é frequentemente usado para ridicularizar e descredibilizar oponentes, minando a sua autoridade e seriedade. Ambos podem ser particularmente eficazes em memes, onde a combinação de imagem e texto amplifica a mensagem subjacente, tornando a crítica mais impactante e viral.

Ridicularização: A Descredibilização do Alvo

Infográfico académico com as principais técnicas de persuasão pelo humor: piadas, ironia, sarcasmo, ridicularização e ambiguidade.
Principais técnicas de persuasão através do humor na propaganda digital.

Estudos de Caso Recentes: Memes em Ação

A teoria ganha vida quando observamos a aplicação prática dos memes em cenários reais de campanhas políticas, movimentos sociais e, infelizmente, na disseminação de desinformação. Estes exemplos ilustram a versatilidade e o impacto profundo dos memes como ferramentas de persuasão digital.

Memes em Campanhas Políticas: O Caso de Ciro Gomes nas Eleições Brasileiras de 2018

As eleições presidenciais brasileiras de 2018 foram um terreno fértil para a proliferação de memes políticos. Um estudo aprofundado [2] analisou como o humor foi estrategicamente utilizado na campanha de Ciro Gomes, um dos candidatos. A pesquisa revelou que a capacidade de replicação dos memes foi crucial para a propagação das mensagens do candidato no Twitter. O humor, neste contexto, atuou como um “suavizador” do discurso político, tornando as mensagens mais palatáveis e facilitando a sua circulação, mesmo num ambiente altamente polarizado. Ao embalar ideias políticas em formatos humorísticos, a campanha conseguiu transpor as barreiras das “câmaras de eco” – espaços digitais onde os indivíduos tendem a interagir apenas com quem partilha das suas opiniões – alcançando um público mais vasto. No entanto, esta mesma capacidade de suavizar o discurso também levanta preocupações: o humor pode mascarar informações falsas ou enganosas, tornando-as mais facilmente aceites e difíceis de contestar, um desafio significativo na luta contra a desinformação.

Memes como Arma Online: A Estratégia da Extrema-Direita

Um relatório da NCTV (National Coordinator for Security and Counterterrorism) dos Países Baixos, intitulado “Memes as an online weapon” [8], oferece uma análise contundente sobre como a extrema-direita utiliza memes para disseminar mensagens e ideologias. Este estudo destaca que os memes são uma forma subtil e eficaz de alcançar, em particular, os jovens, e de espalhar mensagens radicais, muitas vezes disfarçadas de humor. A sua eficácia reside em vários fatores:

•Acessibilidade e Viralidade: Memes são facilmente copiados, adaptados e distribuídos online, tornando-se virais e alcançando um grande número de pessoas em pouco tempo.

•Mensagens Múltiplas e “Dog Whistles”: Podem conter mensagens diferentes para diferentes recetores. Uma mensagem pode parecer inofensiva ou socialmente aceitável para o público em geral, enquanto uma mensagem codificada e menos aceitável socialmente é entendida por um grupo mais pequeno – um fenómeno conhecido como “dog whistle”. Por exemplo, o sinal “OK” (com o polegar e o indicador a formar um círculo e os outros dedos estendidos) é usado por alguns grupos de extrema-direita como um “dog whistle” para “White Power”.

•Anonimato e Dificuldade de Rastreamento: A origem de um meme é frequentemente difícil de rastrear, e a sua natureza ambígua e humorística torna-os quase impossíveis de combater através da lei ou da moderação de conteúdo online. A defesa de que é “apenas uma piada” é uma tática comum para evitar a responsabilização.

•Normalização e Formação de Identidade: Contribuem para a normalização e aceitação social de ideias de extrema-direita, bem como para a formação de grupos e identidades online, solidificando a lealdade interna e demonizando a oposição.

O relatório apresenta exemplos perturbadores:

•Accelerationismo: Memes que glorificam perpetradores de ataques terroristas de extrema-direita (como os de Noruega em 2011, Christchurch em 2019, Buffalo em 2022 e Bratislava em 2022) e que promovem a violência e a preparação para uma “guerra racial”. Utilizam frequentemente cores como preto, branco e vermelho, e símbolos como suásticas invertidas e caveiras. O humor, neste contexto, é menos presente ou mais mórbido.

•Alt-right: Memes que promovem o tradicionalismo, a pureza e a masculinidade, muitas vezes com mensagens veladas. Focam-se em temas como a rejeição de drogas e álcool, o incentivo ao exercício físico para preparar os “rapazes brancos” para uma guerra racial, e a exaltação de culturas nórdicas antigas. Figuras como “Pepe the Frog” (que se tornou um símbolo da alt-right) e “Clownworld” (a crença de que o mundo enlouqueceu devido a ideias “politicamente corretas”) são exemplos proeminentes.

Estes casos demonstram como os memes são utilizados não apenas para influenciar, mas para minar a ordem legal democrática e a segurança nacional, tornando-se uma “arma de comunicação online” que normaliza ideias radicais e promove a manipulação digital.

Memes em Movimentos Sociais: A “Meme-ing of Democracy” em 2020

Em contraste com o uso malicioso, os memes também são ferramentas poderosas para movimentos sociais que procuram justiça e mudança. O ano de 2020, marcado por eventos políticos e sociais significativos, viu a emergência de memes que refletiam e impulsionavam esses movimentos. O artigo “Top Memes 2020: The Meme-ing of Democracy!” [13] destaca vários exemplos:

•”I’m Speaking” (Kamala Harris): Este meme, surgido da insistência de Kamala Harris em falar durante um debate vice-presidencial, tornou-se um símbolo de dignidade e resistência face à misoginia, ressoando com a necessidade de reaver tempo, cura e agência num mundo que muitas vezes tenta silenciar vozes. Representa a lógica de ação e a afirmação de direitos.

•”Teachers vs. Billionaires”: Este meme estabeleceu um contraste entre os educadores (construtores do futuro) e os bilionários (parasitas sociais que subfinanciam serviços públicos). Foi usado em campanhas eleitorais e na luta por políticas de saúde pública, destacando a importância dos serviços públicos e a crítica à acumulação de riqueza. Demonstra o uso do “triângulo dramático” para enquadrar conflitos sociais.

•Cori Bush: A história de Cori Bush, desde a sua campanha eleitoral de base até à sua entrada nos corredores do poder, tornou-se um “meme humano” de esperança. Ela encarna o valor da representação cidadã, da liderança vinda das margens e da responsabilidade para com a comunidade. Este exemplo mostra como figuras públicas podem tornar-se memes que inspiram e mobilizam.

•”Free the Vote!”: Slogans como #FreeTheVote, #LetMyPeopleVote e #RestoreTheVote foram usados para defender o acesso ao voto, especialmente após a expansão do direito de voto a pessoas com condenações criminais. Estes memes reforçam a ideia de que os direitos de voto são direitos humanos e que a autodeterminação exige a inclusão de todos na sociedade.

Estes exemplos demonstram a diversidade de formas como os memes são empregados em movimentos sociais, desde a afirmação de direitos e a crítica social até à mobilização e inspiração de figuras públicas, sublinhando o seu papel como uma ferramenta de comunicação de duas gumes.

Implicações Psicológicas: O Riso como Ferramenta de Manipulação

O humor, embora frequentemente associado a momentos de descontração e alegria, possui profundas implicações psicológicas quando inserido no contexto da propaganda digital e da desinformação. A sua capacidade de gerar impacto emocional e de criar uma ligação com o público pode ser explorada para manipular perceções e reforçar ideologias, muitas vezes contornando o pensamento crítico. Como é que uma simples gargalhada pode ser tão poderosa?

O Riso Reduz o Pensamento Crítico: Estamos Menos Atentos Quando Rimos?

Uma das implicações mais insidiosas do humor na persuasão é a sua capacidade de reduzir o pensamento crítico. Quando uma mensagem é apresentada de forma engraçada, a nossa guarda cognitiva tende a baixar. Estamos mais relaxados, mais recetivos e, consequentemente, menos propensos a questionar a veracidade ou as intenções subjacentes à mensagem. O humor atua como um “amortecedor” cognitivo, desviando a atenção dos argumentos racionais ou das inconsistências. Pense nisto: é mais fácil aceitar uma crítica mordaz ou uma ideia controversa se ela vier embrulhada numa piada. O humor pode, assim, “suavizar” o discurso político, permitindo que mensagens que, de outra forma, seriam recebidas com ceticismo ou resistência, circulem com maior facilidade [14]. A risada pode ser um convite para a aceitação acrítica, um portal para a manipulação digital.

Criação de Identificação e Coesão Social: O Poder do “Nós” Que Ri Junto

O humor é uma ferramenta extraordinariamente eficaz para criar identificação e coesão dentro de um grupo. Partilhar uma piada ou um meme engraçado sobre um tópico específico gera um sentimento de pertença e solidariedade entre os indivíduos que compreendem e apreciam o humor. Em contextos políticos, esta dinâmica é explorada para fortalecer a lealdade a um candidato, partido ou movimento. Ao rir das mesmas coisas, as pessoas sentem-se parte de uma comunidade, uma “bolha” onde as suas crenças são validadas e reforçadas. O riso partilhado não só reforça a identidade do grupo, mas também a perceção de que os membros partilham os mesmos valores e visões de mundo. Esta ligação emocional profunda torna o grupo mais resistente a influências externas e mais propenso a aceitar as narrativas internas, mesmo que estas sejam simplificadas ou distorcidas [14].

Reforço da Polarização: O Riso que Divide

Embora o humor possa unir, ele também pode ser um catalisador para a polarização. Memes e piadas que ridicularizam o “outro” – sejam eles oponentes políticos, grupos sociais diferentes ou minorias – podem reforçar estereótipos negativos e desumanizar os adversários. Ao criar um claro “nós” contra “eles”, o humor pode aprofundar as divisões existentes e intensificar sentimentos de raiva, desprezo e até ódio em relação a grupos externos. A IA e as ferramentas de geração de conteúdo têm amplificado este fenómeno, permitindo a criação e disseminação rápida de vídeos e memes que reforçam a polarização afetiva, divulgando narrativas negativas sobre adversários e consolidando “bolhas identitárias rígidas” onde o diferente é visto como uma ameaça [16]. Neste cenário, o humor deixa de ser uma forma de entretenimento para se tornar uma arma estratégica, solidificando a lealdade interna e demonizando a oposição, dificultando o diálogo e o entendimento mútuo. O riso, neste contexto, pode ser um sinal de alarme para a erosão da empatia e da compreensão social.

IA e Criação de Memes: A Aceleração da Propaganda Digital

Produção em Massa e Personalização Hiper-Segmentada

Tradicionalmente, a criação de memes dependia da criatividade humana e da capacidade de identificar e adaptar tendências. Com a IA, este processo é automatizado e escalado. Geradores de memes baseados em IA podem produzir centenas ou milhares de variações de um meme em questão de segundos, permitindo que os propagandistas testem rapidamente quais formatos e mensagens ressoam mais com diferentes públicos. Além disso, a IA permite uma personalização hiper-segmentada. Ao analisar dados demográficos e psicográficos dos utilizadores, os algoritmos podem adaptar memes para maximizar o seu impacto em grupos específicos, tornando a mensagem mais relevante e persuasiva para cada indivíduo [16]. Esta capacidade de criar conteúdo “feito à medida” para cada “bolha” de utilizadores amplifica o potencial de persuasão e de reforço de preconceitos existentes.

Análise de Tendências e Otimização da Viralidade

Para além da criação, a IA também é utilizada para analisar tendências, identificar padrões de humor e prever quais memes se tornarão virais. Isso permite que os criadores de conteúdo, incluindo aqueles com intenções propagandísticas, otimizem as suas criações para máxima eficácia. Ao compreender o que “funciona” e porquê, a IA pode guiar a produção de memes que têm maior probabilidade de se espalhar rapidamente e de influenciar a opinião pública. A automação e a escala que a IA oferece representam um desafio significativo para a deteção e combate à desinformação baseada em memes, pois a velocidade de disseminação supera a capacidade de verificação humana [16].

O Futuro da Desinformação: Memes “Deepfake” e Narrativas Sintéticas

Defesa e Resiliência: Navegando no Cenário da Persuasão Digital

Num cenário digital onde o humor e os memes se tornaram veículos potentes para a propaganda digital e a desinformação, desenvolver estratégias de defesa e resiliência é crucial. Como podemos reconhecer e resistir à manipulação digital que se esconde por trás de uma piada ou de uma imagem engraçada? A chave reside numa abordagem multifacetada que combina o desenvolvimento do pensamento crítico, a verificação de factos e a literacia digital.

Desenvolver o Pensamento Crítico: Questionar o Riso

O primeiro passo para a defesa é o desenvolvimento de um pensamento crítico robusto. Isso significa ir além da reação imediata ao humor e questionar a sua origem, o seu propósito e o seu impacto. Pergunte a si mesmo:

•Quem criou este meme ou piada? Qual é a sua agenda ou perspetiva?

•Qual é a mensagem subjacente? Há algo mais do que apenas humor?

•Este humor visa ridicularizar ou desumanizar alguém? Se sim, porquê?

•O meme simplifica excessivamente uma questão complexa? Estará a omitir informações importantes?

•Como me sinto ao ver este meme? O riso está a mascarar um sentimento de raiva, desprezo ou aceitação acrítica?

Ao questionar ativamente estas dimensões, podemos começar a desvendar as camadas de persuasão e a identificar quando o humor está a ser usado como uma ferramenta de manipulação, em vez de uma forma genuína de entretenimento ou crítica construtiva.

Verificação de Factos (Fact-Checking) e Contextualização

Embora os memes sejam, por natureza, concisos e muitas vezes descontextualizados, a verificação de factos continua a ser uma ferramenta essencial. Se um meme apresenta uma “verdade” humorística sobre um evento ou figura, procure fontes fidedignas para verificar a informação. A contextualização é igualmente importante: um meme pode ser engraçado num determinado contexto, mas tornar-se ofensivo ou enganoso noutro. Compreender o histórico e a evolução de um meme pode revelar as suas intenções originais e como foi cooptado para fins propagandísticos. Ferramentas de pesquisa reversa de imagem e plataformas de verificação de factos podem ser aliadas valiosas nesta tarefa.

Literacia Digital e Educação para os Media

A longo prazo, a literacia digital e a educação para os media são as defesas mais poderosas contra a desinformação e a manipulação digital. Ensinar as pessoas a navegar no cenário de informação online, a identificar diferentes tipos de conteúdo (notícias, opinião, propaganda, sátira), a reconhecer vieses e a compreender os algoritmos que moldam as suas experiências online é fundamental. Isso inclui a compreensão de como os memes funcionam, como são criados e como podem ser usados para influenciar. Promover a diversidade de fontes de informação e encorajar o diálogo construtivo entre diferentes perspetivas também pode ajudar a mitigar os efeitos polarizadores dos memes propagandísticos. A educação é a nossa melhor arma para garantir que o riso não se torne um cúmplice involuntário da propaganda.

Conclusão: Rir, Refletir e Resistir

Os memes, o humor e a propaganda digital formam uma tapeçaria complexa na paisagem da comunicação contemporânea. O que começou como uma forma de entretenimento e expressão cultural evoluiu para uma linguagem poderosa de persuasão, capaz de moldar opiniões, mobilizar movimentos e, infelizmente, disseminar desinformação. Vimos como o humor, com a sua capacidade de suavizar discursos e criar identificação, pode ser uma ferramenta eficaz para a propaganda, reduzindo o pensamento crítico e reforçando a polarização. A ascensão da IA generativa apenas amplifica este cenário, permitindo a produção em massa e a personalização de memes propagandísticos, tornando a linha entre a sátira e a manipulação cada vez mais ténue.

No entanto, o poder dos memes não é intrinsecamente maligno. Eles podem ser, e são, utilizados para o bem: para mobilizar movimentos sociais, para criticar injustiças e para promover a democracia. A dualidade do seu impacto exige de nós uma vigilância constante e um compromisso com a literacia digital. Não podemos ignorar o riso que nos rodeia, mas devemos aprender a questioná-lo. Quem está a rir? De quê? E porquê? Ao desenvolver o pensamento crítico, ao verificar os factos e ao promover uma educação mediática robusta, podemos equipar-nos para navegar neste cenário complexo.

Em última análise, a responsabilidade recai sobre cada um de nós. Consumir e partilhar memes e humor online exige uma reflexão crítica. O riso pode ser libertador, mas também pode ser uma corrente. Que a nossa capacidade de rir seja acompanhada pela nossa capacidade de pensar, de questionar e de resistir à manipulação digital. Só assim poderemos garantir que a nova linguagem da persuasão digital sirva a verdade e a democracia, e não a propaganda digital e a desinformação.

Referências

Sugestões de Vídeo

Sugestões de Leitura

Sinan Aral – The Hype Machine
Um estudo sobre como as redes sociais moldam eleições, economia e saúde pública, e como podemos responder ao seu poder.

Limor Shifman – Memes in Digital Culture
Referência essencial para compreender a origem, evolução e impacto cultural dos memes.

Edward Bernays – Propaganda
O clássico que revela como a psicologia coletiva pode ser manipulada em massa – escrito em 1928, mas assustadoramente atual.

Chagas et al. – “Political Memes and the Politics of Laughter” (2019)
Estudo académico que analisa o humor político no Brasil e mostra como o riso se tornou estratégia de comunicação digital.

Daniel Kahneman – Thinking, Fast and Slow
Uma viagem pela mente humana: como pensamos, decidimos e, muitas vezes, somos enganados por atalhos cognitivos.


Meta descrição: Como memes políticos e humor online se tornaram armas de propaganda e desinformação, influenciando opinião pública na era digital.


Palavras-chave:
memes políticos, desinformação digital, propaganda online, humor e política, persuasão digital, inteligência artificial, fake news, polarização, comunicação política


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