Introdução
Na complexa tapeçaria da era digital, a informação e a perceção da realidade tornaram-se campos de batalha onde a tecnologia desempenha um papel central. Ferramentas avançadas, impulsionadas pela Inteligência Artificial (IA), como os deepfakes e o microtargeting, estão a redefinir a forma como interagimos com o mundo, consumimos notícias e formamos as nossas opiniões. Estas inovações, embora com potencial para aplicações benéficas, carregam consigo a capacidade de distorcer a verdade, manipular narrativas e, em última instância, criar “realidades alternativas” que desafiam a nossa compreensão coletiva do que é real. Este artigo propõe-se a explorar em profundidade estes fenómenos, desvendando a tecnologia subjacente, analisando os seus impactos sociais e políticos e, crucialmente, delineando estratégias robustas para fortalecer a resiliência individual e coletiva face a estes desafios emergentes. Ao compreender os mecanismos de manipulação e as suas consequências, podemos equipar-nos melhor para navegar num cenário digital cada vez mais complexo e salvaguardar os pilares da democracia e da verdade na sociedade contemporânea.
Deepfakes e Manipulação Visual: A Fronteira da Realidade Sintética
Os deepfakes representam uma das mais notáveis e preocupantes manifestações da inteligência artificial na manipulação de mídia. O termo, uma amálgama de “deep learning” (aprendizagem profunda) e “fake” (falso), refere-se a imagens, vídeos ou áudios que foram gerados ou alterados de forma convincente utilizando algoritmos de IA. Diferentemente das montagens ou edições tradicionais, os deepfakes utilizam redes neurais complexas para criar conteúdo sintético que é quase indistinguível do real, desafiando a nossa capacidade de confiar no que vemos e ouvimos.
A Tecnologia por Trás dos Deepfakes
No cerne da tecnologia deepfake estão as redes neurais, em particular os autoencoders variacionais (VAEs) e as redes generativas adversariais (GANs). Um autoencoder funciona através de um codificador que comprime uma imagem ou áudio em uma representação de menor dimensão (o “espaço latente”), e um descodificador que reconstrói essa mídia a partir da representação comprimida. Para criar um deepfake, a IA é treinada com vastos conjuntos de dados de uma pessoa-alvo, aprendendo as suas expressões faciais, maneirismos, padrões de fala e voz. Com este conhecimento, o sistema pode então aplicar essas características a outro indivíduo ou criar cenários e discursos que nunca aconteceram na realidade. As GANs, por sua vez, operam com duas redes neurais em competição: um “gerador” que cria o conteúdo falso e um “discriminador” que tenta identificar se o conteúdo é real ou falso. Este processo iterativo de “gerar e detetar” leva a uma melhoria contínua na qualidade dos deepfakes, tornando-os cada vez mais realistas e difíceis de detetar.
Usos Maliciosos e Riscos Associados
O potencial para o uso malicioso dos deepfakes é vasto e alarmante. As aplicações mais preocupantes incluem:
- Disseminação de Desinformação e Notícias Falsas: Deepfakes podem ser usados para criar vídeos de políticos a fazer declarações controversas que nunca proferiram, ou de figuras públicas envolvidas em escândalos fabricados. Isso pode influenciar eleições, manipular a opinião pública e desestabilizar sociedades.
- Pornografia Não Consensual e Pornografia de Vingança: Um dos usos mais difundidos e prejudiciais dos deepfakes é a criação de vídeos pornográficos não consensuais, onde o rosto de uma pessoa é sobreposto ao corpo de outra. Isso tem consequências devastadoras para as vítimas, incluindo danos à reputação, trauma psicológico e assédio.
- Fraude Financeira e Cibercrime: A capacidade de imitar vozes e aparências pode ser explorada para fraudes sofisticadas, como a personificação de executivos para autorizar transferências bancárias fraudulentas ou a criação de identidades falsas para atividades criminosas.
- Difamação e Bullying: Deepfakes podem ser empregados para difamar indivíduos, criar narrativas falsas sobre eles ou submetê-los a bullying online, com sérias repercussões para a sua vida pessoal e profissional.
- Erosão da Confiança na Mídia: À medida que os deepfakes se tornam mais comuns e convincentes, a capacidade do público de distinguir entre conteúdo real e fabricado diminui, levando a uma desconfiança generalizada em relação a todas as formas de mídia, incluindo o jornalismo legítimo.
Desafios na Deteção de Deepfakes
A deteção de deepfakes é um campo em constante evolução, numa corrida armamentista entre criadores e detetores. Inicialmente, os deepfakes apresentavam falhas visíveis, como iluminação inconsistente, movimentos não naturais, sincronização labial deficiente ou piscar de olhos irregular. No entanto, com o avanço da tecnologia, estas imperfeições estão a tornar-se cada vez mais sutis. Ferramentas e projetos de pesquisa como Deepware e Deepfake Detector utilizam IA para analisar padrões complexos em pixels, metadados e características biométricas para identificar manipulações. Contudo, a sofisticação crescente dos algoritmos de geração de deepfakes significa que as ferramentas de deteção precisam de ser constantemente atualizadas e aprimoradas. A educação do público sobre como identificar sinais de deepfakes e a promoção de uma abordagem crítica ao consumo de mídia são igualmente importantes para mitigar os riscos associados a esta tecnologia. A verificação de factos e a validação cruzada de informações através de múltiplas fontes confiáveis tornam-se práticas indispensáveis na era dos deepfakes.
Microtargeting e Personalização: A Precisão da Influência
O microtargeting, uma estratégia que ganhou proeminência na era digital, refere-se à prática de direcionar mensagens altamente personalizadas a segmentos muito específicos da população. Diferente da publicidade de massa tradicional, que visa um público amplo com uma mensagem genérica, o microtargeting utiliza vastos volumes de dados para identificar os interesses, crenças, comportamentos e até mesmo as vulnerabilidades psicológicas de indivíduos, permitindo que as mensagens sejam adaptadas para ressoar de forma única com cada um.
Mecanismos e Evolução com a IA
O funcionamento do microtargeting é intrinsecamente ligado à coleta e análise de dados. Empresas e campanhas políticas recolhem informações de diversas fontes: atividade online (histórico de navegação, interações em redes sociais), dados demográficos, registos eleitorais, hábitos de consumo, e até mesmo informações psicográficas (traços de personalidade, valores, atitudes). A Inteligência Artificial e o machine learning são cruciais neste processo, pois permitem processar e correlacionar estes dados em larga escala, identificando padrões e criando perfis detalhados de indivíduos e pequenos grupos.
Com a IA, o microtargeting evoluiu de uma segmentação baseada em características gerais para uma personalização quase individualizada. Algoritmos avançados podem prever a probabilidade de um indivíduo reagir a uma determinada mensagem, ou mesmo a sua suscetibilidade a certas narrativas. Por exemplo, um eleitor indeciso com preocupações ambientais pode receber anúncios focados em políticas de sustentabilidade do candidato X, enquanto um eleitor com preocupações económicas pode receber mensagens sobre criação de empregos do mesmo candidato. Esta capacidade de adaptar a linguagem, o tom, o formato e o canal da mensagem (e-mail, redes sociais, SMS) torna a comunicação extremamente eficaz na persuasão.
Impacto na Comunicação Política e no Comportamento do Consumidor
O impacto do microtargeting é profundo, tanto na comunicação política quanto no comportamento do consumidor:
- Na Comunicação Política: O microtargeting permite que as campanhas políticas alcancem eleitores com mensagens que são mais propensas a engajá-los e persuadi-los. Isso pode aumentar a participação eleitoral e a mobilização de eleitores. No entanto, também pode levar à fragmentação do discurso público, onde diferentes grupos recebem mensagens contraditórias ou incompletas, dificultando um debate público coeso e informado. A capacidade de direcionar desinformação a grupos específicos, como visto em campanhas eleitorais passadas, é uma preocupação significativa.
- No Comportamento do Consumidor: No marketing comercial, o microtargeting otimiza a eficácia das campanhas publicitárias, aumentando as taxas de conversão e a lealdade à marca. Os consumidores recebem ofertas e conteúdos que são altamente relevantes para os seus interesses, o que pode melhorar a experiência do utilizador. Contudo, isso também levanta questões sobre a privacidade e a manipulação, pois as empresas podem explorar vulnerabilidades psicológicas para impulsionar o consumo.
Implicações Éticas e Sociais
As implicações éticas e sociais do microtargeting são complexas e multifacetadas:
- Privacidade: A coleta massiva de dados pessoais para fins de microtargeting levanta sérias preocupações com a privacidade. Os indivíduos podem não estar cientes da extensão dos dados que estão a ser recolhidos sobre eles e como esses dados estão a ser utilizados para influenciar as suas decisões.
- Manipulação e Autonomia: A personalização extrema das mensagens pode ser vista como uma forma de manipulação, pois as mensagens são concebidas para explorar preconceitos e vulnerabilidades. Isso pode minar a autonomia individual, tornando mais difícil para as pessoas formarem opiniões independentes e tomarem decisões informadas.
- Câmaras de Eco e Polarização: Ao expor os indivíduos apenas a informações que confirmam as suas crenças, o microtargeting contribui para a formação de câmaras de eco e bolhas de filtro. Isso reforça os preconceitos existentes, impede a exposição a perspetivas diversas e aprofunda a polarização social e política, dificultando o diálogo e a compreensão mútua.
- Transparência e Responsabilidade: A opacidade dos algoritmos de microtargeting torna difícil para o público e para os reguladores compreenderem como as decisões são tomadas e como as mensagens são direcionadas. A falta de transparência impede a responsabilização das plataformas e das campanhas que utilizam estas técnicas.
Em resumo, o microtargeting, impulsionado pela IA, é uma ferramenta poderosa com a capacidade de influenciar comportamentos e opiniões com uma precisão sem precedentes. Embora possa ter aplicações legítimas, as suas implicações éticas e sociais, particularmente no contexto da comunicação política e da disseminação de desinformação, exigem uma análise crítica e uma regulamentação cuidadosa para proteger a privacidade, a autonomia e a integridade do discurso público.
A Criação de Realidades Alternativas: Onde o Digital Encontra a Percepção
O conceito de “realidades alternativas” não é novo, mas na era digital, impulsionado pela IA, ganha uma dimensão sem precedentes. Não se trata apenas de mundos virtuais imersivos, mas da capacidade de construir e disseminar narrativas e percepções que, embora não correspondam à realidade objetiva, são aceites como verdadeiras por segmentos significativos da população. Esta construção é um processo complexo, onde a tecnologia se entrelaça com a psicologia humana e a dinâmica social.
Conceito e Mecanismos de Formação
No contexto digital, uma realidade alternativa pode ser definida como um conjunto de crenças, factos (reais ou fabricados) e interpretações que formam uma visão de mundo coesa, mas que difere substancialmente da realidade consensual ou empiricamente verificável. A sua formação é facilitada por vários mecanismos:
- Filtros Algorítmicos: Plataformas digitais utilizam algoritmos de recomendação que personalizam o conteúdo exibido aos utilizadores com base nos seus interesses e interações anteriores. Embora concebidos para melhorar a experiência do utilizador, estes algoritmos podem inadvertidamente criar “bolhas de filtro” ou “câmaras de eco”, onde os indivíduos são expostos predominantemente a informações que confirmam as suas crenças preexistentes, isolando-os de perspetivas divergentes.
- Viés de Confirmação: Os seres humanos tendem a procurar, interpretar e lembrar informações de uma forma que confirme as suas crenças ou hipóteses preexistentes. No ambiente digital, onde a informação é abundante e muitas vezes descontextualizada, este viés é amplificado, levando os indivíduos a aceitar mais facilmente narrativas que se alinham com as suas visões de mundo, mesmo que sejam falsas.
- Desinformação e Notícias Falsas: A disseminação intencional de informações falsas ou enganosas, muitas vezes disfarçadas de notícias, é um pilar na construção de realidades alternativas. Estas narrativas podem ser criadas para manipular a opinião pública, influenciar eleições ou descredibilizar oponentes.
- Comunidades Online e Polarização: A internet permite que indivíduos com interesses e crenças semelhantes se conectem e formem comunidades. Embora isso possa ser positivo, também pode levar à polarização, onde as ideias dentro do grupo são reforçadas e radicalizadas, e as visões externas são rejeitadas ou demonizadas.
A Contribuição de Deepfakes e Microtargeting
Deepfakes e microtargeting são ferramentas poderosas que aceleram e amplificam a criação de realidades alternativas:
- Deepfakes como Prova Falsa: Os deepfakes fornecem a “prova” visual e auditiva para narrativas falsas. Um vídeo deepfake de um político a fazer uma declaração escandalosa ou de um evento que nunca ocorreu pode ser extremamente convincente e difícil de desmascarar, especialmente para um público que já está predisposto a acreditar na narrativa. Isso confere uma legitimidade aparente a informações falsas, tornando-as mais eficazes na moldagem da percepção da realidade.
- Microtargeting para Reforço Seletivo: O microtargeting permite que os criadores de realidades alternativas identifiquem e alcancem os indivíduos mais suscetíveis a uma determinada narrativa. Ao adaptar as mensagens para explorar as vulnerabilidades e preconceitos de cada grupo, o microtargeting garante que a desinformação seja entregue de forma eficaz e persuasiva. Isso cria um ciclo de retroalimentação onde as crenças existentes são reforçadas, e a exposição a informações contraditórias é minimizada, solidificando a realidade alternativa na mente do indivíduo.
Implicações Sociais e Políticas
A proliferação de realidades alternativas tem implicações profundas para a sociedade e a política:
- Erosão da Verdade e da Confiança: Quando a distinção entre o real e o fabricado se torna indistinta, a própria noção de verdade objetiva é comprometida. Isso mina a confiança nas instituições (mídia, governo, ciência) que tradicionalmente servem como árbitros da verdade, levando a um ceticismo generalizado e à incapacidade de chegar a um consenso sobre factos básicos.
- Fragmentação Social e Política: A existência de múltiplas realidades alternativas pode levar à fragmentação da sociedade em grupos isolados, cada um com a sua própria versão dos factos. Isso dificulta o diálogo construtivo, a resolução de problemas e a construção de uma identidade social coesa. A polarização política é exacerbada, com cada lado operando a partir de um conjunto diferente de “verdades”.
- Desafios para a Democracia: A democracia depende de um eleitorado informado e capaz de tomar decisões racionais com base em factos partilhados. A manipulação de realidades através de deepfakes e microtargeting pode distorcer o processo democrático, levando a decisões baseadas em desinformação e a um enfraquecimento da participação cívica informada.
- Impacto na Saúde Mental: A constante exposição a informações falsas e a dificuldade em discernir a verdade podem gerar ansiedade, confusão e desorientação nos indivíduos. A sensação de viver numa realidade fluida e manipulável pode ter sérias consequências para a saúde mental e o bem-estar psicológico.
Estratégias de Resiliência: Fortalecendo a Sociedade na Era da Desinformação
Diante dos desafios impostos pelos deepfakes, microtargeting e a proliferação de realidades alternativas, torna-se imperativo desenvolver e implementar estratégias robustas de resiliência. A luta contra a desinformação e a manipulação digital não é uma tarefa exclusiva de governos ou empresas de tecnologia; é uma responsabilidade coletiva que exige a participação ativa de indivíduos, instituições educacionais, organizações de mídia e reguladores.
1. Literacia Digital e Educação Crítica
A base de qualquer estratégia de resiliência é a educação. A literacia digital e mediática deve ser promovida desde cedo, capacitando os cidadãos com as ferramentas necessárias para navegar no ambiente digital de forma crítica e informada. Isso inclui:
- Desenvolvimento do Pensamento Crítico: Ensinar a questionar a fonte, o contexto e a intenção por trás da informação. Incentivar a análise de diferentes perspetivas e a identificação de vieses.
- Compreensão da Tecnologia: Explicar como funcionam os algoritmos de IA, os deepfakes e o microtargeting, desmistificando a tecnologia e revelando os seus mecanismos de manipulação.
- Reconhecimento de Padrões de Desinformação: Treinar os indivíduos para identificar táticas comuns de desinformação, como títulos sensacionalistas, apelos emocionais, falta de fontes verificáveis e inconsistências factuais.
- Verificação de Factos Básica: Ensinar métodos simples de verificação de factos, como a pesquisa reversa de imagens, a consulta de múltiplas fontes confiáveis e a verificação de datas e contextos.
2. Regulação e Ética da Inteligência Artificial
A ausência de um quadro regulatório claro para a IA e o uso de dados pessoais cria um vácuo que pode ser explorado para fins maliciosos. É fundamental que governos e organismos internacionais colaborem para desenvolver leis e diretrizes éticas que abordem:
- Transparência Algorítmica: Exigir que as plataformas digitais sejam transparentes sobre como os seus algoritmos funcionam e como o conteúdo é recomendado ou impulsionado. Isso inclui a divulgação de dados sobre o alcance e o impacto de conteúdos desinformativos.
- Responsabilidade das Plataformas: Estabelecer mecanismos de responsabilização para as plataformas que falham em remover ou sinalizar conteúdo desinformativo, deepfakes e outras formas de manipulação digital.
- Proteção de Dados Pessoais: Fortalecer as leis de proteção de dados para garantir que a coleta e o uso de informações pessoais para microtargeting sejam transparentes, consentidos e limitados, protegendo a privacidade dos cidadãos.
- Regulamentação de Deepfakes: Criar legislação específica para deepfakes, criminalizando o seu uso malicioso (por exemplo, pornografia não consensual, fraude, manipulação eleitoral) e exigindo a sua rotulagem clara quando utilizados para fins legítimos (por exemplo, entretenimento, educação).
3. Fortalecimento do Jornalismo Independente e de Qualidade
O jornalismo profissional e independente é um pilar essencial na defesa contra a desinformação. Ao investigar, verificar factos e apresentar informações precisas e contextualizadas, os jornalistas desempenham um papel crucial na manutenção de um espaço público informado. É vital:
- Apoiar Modelos de Negócio Sustentáveis: Incentivar e apoiar financeiramente organizações de notícias independentes que investem em jornalismo de investigação e verificação de factos.
- Promover a Colaboração: Fomentar a colaboração entre organizações de notícias, universidades e centros de pesquisa para desenvolver novas ferramentas e metodologias de combate à desinformação.
- Educação para o Jornalismo: Investir na formação de jornalistas com competências em literacia digital, análise de dados e deteção de deepfakes.
4. Desenvolvimento e Uso de Ferramentas de Verificação de Factos
A tecnologia também pode ser uma aliada na luta contra a desinformação. O desenvolvimento e a utilização de ferramentas de verificação de factos, muitas vezes impulsionadas por IA, são cruciais:
- Ferramentas de Deteção de Deepfakes: Continuar a investir em pesquisa e desenvolvimento de algoritmos e plataformas capazes de identificar deepfakes de áudio, vídeo e imagem com alta precisão.
- Plataformas de Verificação de Factos: Apoiar e expandir o trabalho de organizações de verificação de factos que utilizam tecnologia para analisar e desmascarar narrativas falsas.
- Sinalização e Contextualização: Implementar sistemas que sinalizem automaticamente conteúdo potencialmente desinformativo e forneçam contexto adicional ou ligações para informações verificadas.
Conclusão
A era digital trouxe consigo avanços tecnológicos extraordinários, mas também desafios sem precedentes para a verdade e a coesão social. Deepfakes, microtargeting e a criação de realidades alternativas são manifestações poderosas de como a tecnologia pode ser usada para manipular percepções e influenciar comportamentos. No entanto, a mesma inovação que cria estes desafios também oferece soluções. Ao investir em literacia digital, estabelecer regulamentações éticas para a IA, fortalecer o jornalismo independente e desenvolver ferramentas avançadas de verificação de factos, podemos construir uma sociedade mais resiliente e informada. A responsabilidade de salvaguardar a verdade na era digital é partilhada por todos, exigindo vigilância contínua, pensamento crítico e um compromisso inabalável com a integridade da informação. Somente assim poderemos garantir que a tecnologia serve para capacitar e não para manipular, preservando os alicerces da democracia e da confiança mútua.
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Meta descrição: Explore os desafios dos deepfakes, microtargeting e realidades alternativas na era digital. Compreenda a tecnologia, os impactos sociais e políticos, e as estratégias de resiliência para combater a desinformação e proteger a verdade.
Palavras-chave:
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Este artigo faz parte de uma série sobre a propaganda nazi e as suas implicações contemporâneas, desenvolvida como parte do meu projeto final de pós-graduação em Comunicação e Inteligência Artificial na Universidade Católica Portuguesa.









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